O ciclo como tu e eu no Teatro Camões terminou ontem.
Foi um trabalho muito interessante, programado por Mark Deputter.
A arte pouco tem a ver com a vida quotidiana do cidadão comum. É essa a opinião generalizada a que artistas de todas as áreas têm tentado responder de várias formas, sensivelmente desde o início do século passado. Na dança, as pesquisas têm passado inevitavelmente pela substituição do corpo treinado e disciplinado do bailarino clássico pelos corpos diferenciados do nosso dia a dia: pequenos, grandes, gordos, magros, jovens, velhos… O que acontece quando se coloca uma pessoa Como Tu e Eu em palco? O que se perde, o que se ganha? O prazer de ver um bailarino treinado executar uma coreografia equilibrada é inquestionável, mas muitos coreógrafos procuram a beleza na fragilidade de corpos marcados pela vida. Ao domínio confiante do bailarino opõem-se as hesitações do corpo não treinado. Ao movimento polido, uníssono, o ruído da corporalidade íntima e pública de cada indivíduo. E, enquanto os bailarinos profissionais tendem a inserir-se aparentemente sem dificuldade no mundo imaginado pelo coreógrafo, os ‘amadores’ irresistivelmente trazem ao palco as suas histórias e marcas individuais. No mês de Novembro o Teatro Camões apresenta seis espectáculos imaginados e criados por coreógrafos profissionais e experientes, mas executados por intérpretes Como Tu e Eu. (…)
Mark Deputter
Os executantes foram reclusos da Instituição Penitenciária de Castelo Branco - Projecto (R)EXISTIR, bailarinos(as) de striptease, o Grupo Dançando com a Diferença formado por pessoas com deficiência na Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação na Ilha da Madeira, grupo de idosos com mais de 60 anos e cidadão comuns do nosso país.
Esta mistura foi interessante, bonita e por vezes um pouco comovente.

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