2º Seminário

No segundo Seminário (pdf) continuámos a falar do Impressionismo.

Para perceber melhor este movimento comparámos dois quadros:

monet
corot
Blue Waterlilies, 1917, Monet, Musée d’Orsay, Paris
Woman with a Pearl, c. 1858-68, Corot, Musee du Louvre, Paris

No quadro de Monet é difícil identificar com nitidez os objectos (nenúfares, arbustos, lago, céu), existe infedilidade à realidade, são utilizadas cores puras, o quadro foi pintado no exterior, utilizou-se pinceladas breves e justapostas, o quadro corresponde à captação de um momento/instante único.

No quadro de Corot existe nitidez, as cores utilizadas foram compostas pelo artista, o quadro foi pintado em atelier e o pintor demorou aons a pintar o mesmo quadro.

Embora o quadro de Corot tenha sido pintado na altura em que surgiu o Impressionismo, este é muito diferente dos que eram pintados pelos impressionistas, pois pertence ao movimento do século XIX chamado Realismo Oitocentista.

A partir do século XX deixa de ser importante a noção de perspectiva.

piero
matisse
The Flagellation, 1469, Piero della Francesca, Oil and tempera on panel 58.4 x 81.5 cm, Galleria Nazionale delle Marche, Urbino
Dance, 1910, Matisse, oil on canvas, 260×391cm, The Hermitage

Piero della Francesca desenvolveu ao máximo a perspectiva nos seus quadros, como é possível observar em The Flagellation, sendo o responsável pela introdução da perspectiva na história da arte.

Matisse no quadro Dance, são utilizadas apenas três cores (verde, azul e vermelho) e a perspectivaé dada pela conjugação das cores.
Este quadro foi bastante criticado, pois as mulheres eram feias (contrariamente ao ideal de beleza feminina) e estavam em desiquilíbrio. A esta crítica Matisse respondeu:

“Eu não pinto mulheres, pinto quadros.”

Antes do século XX os quadros estavam ligados ao que representam (local, objecto, mensagem,…), após o século XX o quadro adquire total autonomia.

Também Magritte com o quadro “Ceci n’est pas une pipe” evidenciou que um quadro é uma representação do objecto e não o objecto real.

Voltando ao Impressionismo, para além de Monet, Cézanne também foi muito importante. Como Cézanne vivia perto do Mont de Saint Victoire, muitos dos seus quadros são a representação do Monte, como por exemplo:
Mont Sainte-Victoire Seen from the Bibemus Quarry (Le Mont Sainte-Victoire vu de la carriere Bibemus), Cézanne, Detail c. 1897, Oil on canvas 64.8 X 81.3 cm, The Baltimore Museum of Art.

O pintor impressionista pinta a realidade como a vê e sente, assim a sua personalidade e sensibilidade fazem parte do quadro.

A utilização de pequenas pinceladas para transmitir vibração ao quadro foi uma técnica criada pelos impressionistas, tendo sido leva ao extremo por Seurat que pintava apenas pequenos pontos - Pontilhismo. A síntese das cores é então realizada pelos olhos.

seurat

Un dimanche après-midi à l’Ile de la Grande Jatte, 1884-86, Art Institute of Chicago, Chicago

O artista impressionista é descontraído, pinta cenas familiares e paisagens. Posteriormente ao Impressionismo surgiu o Simbolismo, em que o pintor utiliza as mesmas técnicas que os impressionistas, mas introduz no quadro o seu estado de espírito, preocupações, problemas, etc.

Gauguin devido aos seus quadros não serem aceites pela crítica, refugiou-se no Taithi, e lá pintou inúmeros quadros.

gauguin

Where Do We Come From? What Are We? Where Are We Going?, 1897, Oil on canvas,
Museum of Fine Arts, Boston

Neste quadro Gauguin existe uma perfeita integração entre a natureza e as figuras humanas. Existe uma reflexão sobre a existência, o sentido da vida, a origem e o destino. A infância, juventude e velhice estão representadas da direita para a esquerda.

Van Gogh, um pintor holandês também simbolista, transmitiu muita emoção nos seus quadros.

van gogh
Cypresses, 1889, Oil on canvas, 93.3 x 74.0 cm, The Metropolitan Museum of Art, New York

Este quadro é dramático, transmite o estado de espírito do artista, de angústia e preocupação.

Skrik, Edvard Munch, 1893, Casein/waxed crayon and tempera on paper (cardboard), 91 x 73.5 cm, Nasjonalgalleriet, Oslo

Neste quadro é visível a sensação de angústia, o rosto é feio e transmite ansiedade, incerteza, medo e horror.
A paisagem mostra a silhueta de Oslo ao pôr do Sol.

scream

Todos estes movimentos não têm ordem cronológica, a sua sequência é de raciocínio.

Na Alemanha surgiu também um movimento, o Expressionismo. O artista expressionista é mais ambicioso que o os anteriores, ele quer intervir na sociedade, dar a sua opinião, fazer uma crítica.

kirchner Berliner Straßenszene, 1913, Kirchner, Brüke Museum, Berlin

Kirchner pintou diversos quadros com cenas das ruas de Berlim, fazendo uma crítica ao snobismo da sociedade da altura.


Oscar Kokoschka
, austríaco, pintou a realidade de forma fugaz e rápida. Os seus quadros são alusivos aos ambientes portuários, sindicaliestas, fabris, industriais, fazendo assim uma crítica aos problemas da revolução industrial.

chagall The Violinist, Chagall, 1911

Chagall, de nacionalidade russa, viajou para Paris e apercebendo-se da completa revolução na arte, mudou a sua forma de pintar.

Este quadro evoca a sua terra natal, Vitebsk, e mostra miséria e prostituição (personagens o fundo). Verifica-se também a ausência de perspectiva.

Cada movimento ou artista que existe acrescenta algo, há sempre contínuidade por mais roturas que existam.

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